POLÍTICA

Flávio falta a sessão sobre fim da escala 6x1 após declarar voto favorável

Senador não registrou presença no debate realizado nesta quarta-feira
Bruno Fernandes
Flávio Bolsonaro durante visita a Maceió
Flávio Bolsonaro durante visita a Maceió

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) não registrou presença na sessão do Senado Federal que discute o fim da escala 6x1 nesta quarta-feira, 14. A ausência ocorre um dia depois de ele declarar que votaria a favor da proposta para acompanhar a “vontade da maioria do povo”, apesar de já ter criticado a mudança na jornada de trabalho.

Flávio também não participou das quatro sessões de discussão realizadas no plenário do Senado sobre o tema. Enquanto isso, integrantes do PL defendem uma proposta alternativa que prevê a negociação direta entre empregador e trabalhador sobre a remuneração por hora trabalhada.

O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), afirmou nesta quarta-feira que o partido pretende insistir na aprovação da chamada PEC das Horas Trabalhadas, mesmo que o fim da escala 6x1 avance no Congresso.

A proposta é de autoria do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. O texto cria um regime alternativo à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), baseado na negociação entre empregador e empregado sobre o valor pago por hora trabalhada.

“Na nossa mentalidade, nós nunca vamos mudar o conceito, a melhor relação é hora trabalhada, hora recebida”, afirmou Sóstenes. Segundo ele, a modalidade seria opcional para o trabalhador.

O deputado também declarou que a proposta não estabelece salário mínimo nem um número mínimo de horas semanais de trabalho. Questionado sobre direitos como décimo terceiro salário e férias remuneradas, Sóstenes afirmou que esses benefícios não estão previstos no texto.

Erika Hilton critica tentativa de votação conjunta

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) afirmou que há um requerimento, assinado por Rogério Marinho, para que a PEC das Horas Trabalhadas seja votada em conjunto com a proposta de fim da escala 6x1.

Segundo Erika, a proposta alternativa pode permitir que trabalhadores recebam menos que um salário mínimo ao fim do mês, conforme a quantidade de horas trabalhadas. A parlamentar criticou a tentativa de vincular os dois textos e também apontou a ausência de Flávio Bolsonaro na sessão, apesar de ele ter prometido apoiar o fim da escala 6x1.

“Essa é aquela PEC que, se aprovada, o trabalhador só receberá pelas horas trabalhadas, podendo receber MENOS QUE UM SALÁRIO MÍNIMO no final do mês”, escreveu a deputada nas redes sociais.

Erika também afirmou que atua ao lado do vereador Rick Azevedo e do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para barrar a proposta alternativa e aprovar o fim da escala 6x1.


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